As vindimas d’Ouro

As vindimas d’Ouro

October 8, 2018 em Travel

Olá Viajantes!

Hoje trazemos à baila, o tema Vinho, um assunto muito querido para nós, e será também para grande parte do nosso público!

A 222 Tours, nasceu igualmente do envolvimento e da ligação com o Douro Vinhateiro, com o vinho, com a gastronomia tradicional, com a estrada e com quem adora a viagem…
Por isto mesmo e muito mais, decidimos que, regularmente iremos abordar por aqui no “Butlers Road Book“, o tema tão em voga e cada vez mais apreciado e estudado, que é o Mundo Vínico.

Comecemos pelas origens, que classificam e distinguem a produção de vinho, como o “novo e o velho mundo”…
Isto é, existem os clássicos produtores, como a França, a Itália, Portugal, a Espanha, os Estados Unidos, etc. e depois alguns países, denominados de “novo mundo”, como por exemplo o Chile, a Austrália e Nova Zelândia, a África do Sul, o Brasil, a Argentina, etc., que mais recentemente começaram a investir e reconverter terras agrícolas em vinha e, diga-se, com resultados surpreendentes!

Mas desta vez, faremos uma incursão pelo Douro Vinhateiro, pelo Douro profundo e pelo seu povo.
Gente da terra e do rio, gente de luta e de garra, gente que deposita todas as esperanças nesta época tão aguardada que são as vindimas, e nela se reflete um ano inteiro de dedicação às vinhas e ao árduo labor que é cuidar da uva, este precioso bago…que mais tarde se traduzirá em vinho, pão e sopa na mesa!
Da cidade vem a prima e o primo, trazem os filhos também, todas as mãos delicadas ou braços fortes são importante ajuda, vem o amigo e o amigo do amigo, nem que seja um fim de semana, não há gente da terra que não participe, todos se unem em torno deste ritual tão ancestral.
É a celebração do vinho, da família, de gerações, do legado, e do futuro que não só economicamente representa, mas também socialmente.
A saudade à mesa, comer, beber e repetir, o prazer de dormir a sesta debaixo da videira, o jogo das cartas, discutir o futebol e a política e os políticos, essa classe tão honesta e séria que ainda estará para nascer alguém mais sério que…o cavaco!

Vindimas no Douro

Vindimas no Douro

A vindima não é só suor, sangue e lágrimas, nesta época de veraneio, quando o sol ainda raia forte, chega gente de todo o lado para ajudar na safra.
Entre as vinhas alguns segredos são revelados, também se chora, muitos amores lembrados, cada um traz a sua história…
Nesta saison, os mais antigos sentem-se menos sós e partilham estórias e sabedoria com os mais jovens, outrora migrados para o litoral, outros idos para terras “Gaulesas” ou do “Tio Sam”, estes moços novos que exibem as suas conquistas e trazem sonhos, trazem fortuna, outros trazem tristeza, e outros trazem alegria, mas todos, e arrisco dizer, todos mesmo, trazem no coração e na alma portuguesa, a saudade!
Este sentimento tão nosso, que não se explica, vive-se, principalmente lá, ao longe…

Hoje, partilhamos a tão aguardada vindima pelo método da Casa Agrícola VINILOURENÇO.

Outrora do Pai, Horácio Lourenço, hoje sob a batuta do filho, Jorge Lourenço (que deu continuidade ao sonho do pai), após criar esta empresa vinificadora e a ela dedicar-se a tempo inteiro.
Em tempos idos, o Pai Horácio, já cultivava uvas e vinhas de qualidade superior que vendia e granjeava até com a Casa Ferreirinha (do famoso Barca Velha em Vale Meão), até ser mais tarde, adquirida pela Sogrape

Com esta agregação e mudança de estratégia dos mercados, surge o “empurrãozinho” que faltava para a Vinilourenço se transformar num vinificador em nome próprio!

Ao longo dos tempos, as vinhas foram aumentando e diversificando (hoje já são proprietários de 45 ha de terra plantada), daí a riqueza de portefólio e várias parcelas espalhadas pelo “triângulo” geográfico imaginário”, desenhado pelas várias vinhas espalhadas neste “canto” do Douro Superior, que numa área abrangente de 20 kms aproximadamente, se estendem desde as freguesias do Poço do Canto, Meda, Vale da Teja, Sebadelhe e Pocinho.

Estas características combinadas e aliadas à diversidade de condições ambientais permitem explorar as castas de forma muito criativa e produzir vinhos com os mais variados estilos.

Vindimas no Douro

Vindimas no Douro

Algumas características de referência:

✅As cotas das vinhas variam entre os 200 e os 650 m, tanto em terrenos de encosta com forte declive, como em zonas planálticas, levemente onduladas, ou em declive e de exposição solar tão variada e intensa.

✅ As vinhas de altitude e solos graníticos (xisto principalmente), conferem às safras uma frescura e uma acidez tão marcante que por si só, já fazem vinhos tão diferenciadores…

✅ Em consequência desta diversidade da paisagem, sucedem-se dois ou três meses de elevada intensidade e azáfama (a chamada época das vindima), que pode oscilar na sua ocorrência entre os meses de Agosto a Outubro…

✅ Castas como a Touriga Nacional ou o Tinto Cão, podem ser vindimadas na última semana de Agosto e nas zonas baixas muito quentes, junto ao rio;

✅ E na segunda ou terceira de Outubro, nas zonas mais altas com exposição norte;

✅ Em solos de origem xistenta (típicos do Douro), ocorrem nas zonas de cota mais baixa, junto ao rio Douro, na maior parte das zonas de cota intermédia e, ainda, em algumas cotas altas da freguesia do Poço do Canto;

✅ Nos solos de transição, com origem no xisto e granito, e os de origem granítica (típicos da Beira), ocorrem nas zonas altas, já na fronteira do Douro com a Beira Interior, em terrenos que já pertencem ao Planalto Beirão;

✅ Em solos de origem xistenta, de maior fertilidade e menor acidez, têm maior capacidade de retenção de água e dão origem, em regra, a maiores produtividades, proporcionado menor stress hídrico às videiras em anos secos e quentes;

✅ Os solos de origem granítica, de menor fertilidade, dão origem a grandes vinhos, particularmente quando há ocorrência de alguma chuva em Setembro.

Vinho Graça

Vinho Graça

CASTAS PREDOMINANTES NESTA ZONA:

A diversidade de condições ambientais permite a exploração de uma grande diversidade de castas,, sendo que os vinhos D. Graça, Fraga da Galhofa, Insuspeito, Pai Horácio, Rabugento e Mau Feitio, as insígnias principais deste produtor:

🍇 O Viosinho e o Rabigato (dominantes nas castas brancas), que têm um excelente comportamento nas vinhas de cotas mais altas.

🍇 Além destas, cultivam-se também a Malvasia-Fina, Gouveio, Moscatel Galego Branco, Fernão-Pires, Rabigato Moreno, Samarrinho e Donzelinho Branco.

🍇 Entre as castas tintas, dominam a Touriga-Nacional, Tinta-Roriz, Bastardo, Touriga-Franca, Sousão, Tinto-Cão e Tinta Barroca, todas elas cultivadas em cotas baixas e altas.

CASTAS ANTIGAS DO DOURO

Um dos projetos mais acarinhados pela empresa VINILOURENÇO é o da recuperação de castas antigas do Douro, que têm vindo a ser estudadas quanto ao seu comportamento vitícola.
É o exemplo dos Donzelinho Branco e Samarrinho, experiências que vingaram e cujas colheitas de 2015 foram lançadas no mercado em 2016 e revelaram-se um sucesso.

ADEGA E PROCESSOS DE VINIFICAÇÃO :

> Lagares de granito com controlo de temperatura e pisa automática;
> Lagares de inox robotizados;
> Cubas de inox com remontagem por bomba;
> Protótipo de autovinificador “Ducellier-Isman” com sensores, desenvolvido em colaboração com uma metalomecânica.;
> Na vinificação em branco é seguido, em regra, o processo normal de bica-aberta;
> Em cubas de inox com ou sem controlo de temperatura de fermentação, de acordo com o tipo de casta e o estilo de vinho pretendido;
> Alguns vinhos tintos são estagiados em barricas de carvalho (pode norma 6 a 12 meses) ;
> Outros em cubas inox com “alternativos”;

Sempre com a preocupação de que as notas de madeira nunca se sobreponham às da fruta.

Vinilourenço

Vinilourenço

Independentemente de cada técnica usada, do clima ou da estratégia, do terroir, das áreas cultivadas, das diferentes regiões, de enólogos mais ou menos inovadores, ou de tradições e de um modo em geral, as vindimas, nuns sítios mais do que outros, são um processo árduo, de resistência, de gente genuína, homens e mulheres duros, fortes e resilientes, que amam o que a terra lhes dá, respeitam a natureza, e acima de tudo, “respiram a vinha e o vinho”!

Um trabalho que pode iniciar às 7 h da manhã pela fresca, até às 5h da tarde para aqueles que andam na apanha da uva…

Depois há tudo o resto, até noite dentro, o transporte da vinha, dos socalcos íngremes até ao trabalho na adega (aqui já com a engenharia mecânica e da enologia).

Muito embora ainda haja quem pratique a saudosa e entusiasmante “pisa a pé”, os lagares de pedra, o cheiro inebriante, os cantares e os contadores de estórias e anedotas e caralhadas, assim manda a tradição!

É habitual que todas as pessoas locais, encontrem neste metiér, o seu “ganha-pão”…

É de alguma forma um sector muito sazonal, desde arar a terra, semear, fazer a poda, ao controle, ao trabalho de adega, engarrafamento, ao planeamento comercial, à promoção em feiras e vendas, provas vínicas e enfim, pão e vinho sobre a mesa!

Depois, repete-se tudo de novo, cuida-se a terra e as vinhas o melhor possível, com a sabedoria popular e ancestral e, rezam-se a todos os Deuses que o próximo ano seja afortunado, melhor que o anterior e que o sol ajude, que as chuvas sejam férteis mas não devastadoras…

Depois, bom, depois repete-se tudo de novo, novamente, para o ano há mais.

Voltaremos a encontrar-nos numa vindima perto de Si.

Saúde 🍷

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